JOHNSON & JOHNSON APOSTA EM PSICODÉLICOS “NÃO LUCINÓGENO” E LIDERA RODADA DE US$ 85 MILHÕES DA DELIX THERAPEUTICS

A Johnson & Johnson (J&J), uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo, assinou um acordo preliminar para liderar uma rodada de investimento de US$ 85 milhões na Delix Therapeutics, empresa de biotecnologia especializada no desenvolvimento de medicamentos baseados em moléculas psicodélicas, chamados “neuroplastógenos”. A rodada avalia a empresa em aproximadamente US$ 190 milhões antes do investimento.
Segundo a Psychedelic Alpha, o acordo ainda não havia sido concluído, mas os termos preveem que a Johnson & Johnson tenha direito de primeira negociação após os resultados da fase II do principal candidato da Delix, o zalsupindole (DLX-001). O movimento chama atenção não apenas pelo valor do investimento, mas principalmente por representar a entrada de mais uma grande companhia farmacêutica (depois da gigante Eli Lilly fazer compra com valores recordes no mercado psicodélico) no desenvolvimento de medicamentos relacionados à farmacologia psicodélica.
A proposta dos neuroplastógenos, (também chamado de psicoplastógenos, ou psicodélicos não aucinógenos) é investigar se algumas das propriedades biológicas associadas aos psicodélicos, especialmente sua capacidade de estimular processos de neuroplasticidade, poderiam ser preservadas sem produzir alterações perceptivas e subjetivas intensas. Caso seja possível produzir efeitos terapêuticos semelhantes sem a experiência psicodélica, os novos medicamentos poderiam ser administrados de maneira muito mais próxima ao modelo convencional de tratamento psiquiátrico, com menor demanda de manejo para a equipe de saúde, tornando o tratamento mais viável para algumas condições.
O principal candidato da Delix é o zalsupindole (DLX-001), uma molécula inspirada no 5-MeO-DMT, atualmente investigada para o tratamento do transtorno depressivo maior. Em um estudo de fase Ib, divulgado pela empresa no final de 2025, o composto apresentou efeitos antidepressivos descritos como rápidos, robustos e duradouros, além de alterações em potenciais marcadores relacionados à plasticidade cerebral. A FDA também autorizou o desenho de um estudo de fase II, que prevê uma característica diferencial: a possibilidade de administração em casa, uma vez ao dia ou duas vezes por semana.
O investimento da J&J não surpreende tanto quando lembramos que a empresa é proprietária do Spravato, o primeiro medicamento antidepressivo via spray nasal à base de esketamina, um anestésico psicodélico. O que chama atenção agora é a escolha de investir justamente em uma abordagem que não produz a experiência psicodélica tradicional. Em vez de apostar diretamente em uma substância que precisa ser administrada em ambiente clínico durante uma experiência alterada de consciência, a empresa parece interessada em uma estratégia potencialmente mais próxima da farmacoterapia convencional. Talvez como já esperado por alguns, acompanhamos a crescente apropriação do mercado psicodélico por grandes empresas farmacêuticas, que parecem interessadas em reforçar uma tendência de terapêutica psicodélica que centraliza sua potência mais na molécula do que no vínculo terapêutico ou na experiência subjetiva.




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