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MAIOR FARMACÊUTICA MUNDIAL ENGLOBA EMPRESA PSICODÉLICA COM VALORES RECORDES: ATÉ 3,8 BILHÕES DE DÓLARES

O mercado de terapias psicodélicas acaba de alcançar um marco histórico. A Eli Lilly, dona do famigerado Mounjaro, e atualmente considerada a maior empresa farmacêutica do mundo em valor de mercado, anunciou a aquisição da AtaiBeckley, uma empresa de biotecnologia especializada no desenvolvimento de medicamentos psicodélicos, em um acordo que pode chegar a US$ 3,8 bilhões. Trata-se da maior aquisição já realizada no setor, consolidando um movimento que, há poucos anos, parecia improvável: a entrada definitiva da chamada "big pharma" no campo das terapias psicodélicas.

O acordo prevê um pagamento inicial de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, com até US$ 1 bilhão adicional condicionado ao cumprimento de metas de desenvolvimento e aprovação regulatória dos principais medicamentos da empresa. O valor supera com folga todas as aquisições anteriores envolvendo companhias dedicadas aos psicodélicos, indicando que esse mercado deixou de ser visto como um nicho experimental para se tornar uma aposta estratégica da indústria farmacêutica.

O principal ativo adquirido pela Lilly é o BPL-003, uma formulação sintética intranasal de 5-MeO-DMT, substância psicodélica que vem sendo investigada para o tratamento da depressão resistente. Diferentemente da psilocibina, cujas sessões terapêuticas costumam durar entre quatro e seis horas, o 5-MeO-DMT produz uma experiência significativamente mais curta, o que pode facilitar sua incorporação aos serviços de saúde e reduzir custos operacionais relacionados ao acompanhamento clínico dos pacientes. Em estudos clínicos de fase 2, o BPL-003 demonstrou reduções rápidas e duradouras dos sintomas depressivos após uma única administração supervisionada, levando o medicamento a receber da agência reguladora norte-americana (FDA) a designação de "Breakthrough Therapy" e a avançar para estudos de fase 3.

Mais do que a compra de uma empresa, essa negociação representa um forte sinal de amadurecimento do chamado Renascimento Psicodélico, fortemente caracterizado por uma perspectiva biomédica que tende a valorizar mais a neuroplasticidade provocada pelas moléculas psicodélicas, do que a experiência psicodélica e sua complexidade perceptiva e emocional. Vale, inclusive, destacar, que a empresa evitou usar o termo “psicodélico” no seu anúncio oficial, preferindo destacar o “avanço em terapias para o tratamento de depressão resistente e outras condições de saúde mental”. Como bem analisou o jornalista especializado em psicodélicos Marcelo Leite, a substituição do uso do termo “psicodélico” pelo termo “neuroplastógeno”, parece cumprir uma função “sanitizadora”, além de indicar um interesse da empresa em atuar sobre a raíz biológica das condições investigadas. 

A aquisição também evidencia uma mudança importante na percepção do mercado. Historicamente, as grandes farmacêuticas adotavam uma postura cautelosa em relação aos psicodélicos, deixando o desenvolvimento dessas terapias nas mãos de pequenas empresas especializadas. O interesse crescente da Eli Lilly sugere que esses medicamentos passaram a ser vistos não apenas como uma promessa científica, mas também como uma oportunidade comercial de longo prazo. Analistas do setor estimam que o mercado global de terapias psicodélicas possa movimentar cerca de US$ 12 bilhões até 2034, impulsionado principalmente pela demanda por tratamentos mais eficazes para transtornos mentais resistentes às terapias convencionais.

Os psicodélicos finalmente chegam na big phama: muitos amando, muitos odiando, outros receosos e/ou esperançosos… A antiga promessa permanece acompanhada de uma interrogação: poderão os psicodélicos promover um novo paradigma em saúde mental? A nova aquisição da Eli Lilly nos coloca mais próximo ou mais distante desse novo paradigma?


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