TABACO PSICODÉLICO? PESQUISADORES MODIFICAM PLANTA DE TABACO PARA PRODUZIR ATÉ 5 COMPONENTES PSICOATIVOS
- Iago Lôbo

- 9 de abr.
- 2 min de leitura

Em plena Semana Santa, uma notícia chamou atenção de parte da comunidade psicodélica: um novo artigo anunciava que um grupo de pesquisadores tinha conseguido fazer uma planta de tabaco produzir 5 substâncias psicodélicas. Alguns leitores duvidaram da veracidade da notícias e chegaram a cogitar uma possível pegadinha do Dia da Mentira, visto que o artigo original foi publicado no dia 01 de Abril de 2026.
Nem milagre, nem mentira; aparentemente, trata-se mesmo de ciência: o artigo, “Biosíntese completa de triptaminas psicodélicas de três reinos em plantas”: a criação de uma planta de tabaco geneticamente modificada capaz de produzir simultaneamente cinco compostos psicodélicos naturais: DMT, psilocibina, psilocibina, bufotenina e 5-MeO-DMT. O estudo é uma conquista biotecnológica psicodélica, ao integrar em um único organismo vegetal, vias biossintéticas originalmente encontradas em três reinos biológicos distintos: plantas, fungos e animais.
Depois de identificar e caracterizar os genes e enzimas responsáveis pela biossíntese de triptaminas psicodélicos em diferentes organismos (por exemplo, o DMT na Psychotria viridis; a psilocibina nos Psilocybe cubensis; e a bufotenina no Rhinallea marina), os pesquisadores combinaram essas rotas em um único indivíduo vegetal: a planta Nicotiana benthamiana, amplamente utilizada em pesquisas por sua facilidade de cultivo e manipulação genética. Após identificar os conjuntos gênicos necessários, os cientistas os introduziram nas folhas da planta por meio de uma técnica chamada agroinfiltração, um método que utiliza bactérias para transferir genes e induzir sua expressão temporária no tecido vegetal.
A pesquisa aponta para possíveis caminhos da pesquisa em biotecnologia psicodélica. Em vez de depender da extração de organismos naturais, frequentemente raros ou ecologicamente sensíveis, ou de sínteses químicas complexas, a biotecnologia vegetal surge como uma alternativa potencialmente mais sustentável e escalável. Os pesquisadores defendem que, ao transformar plantas em plataformas programáveis de produção de alcaloides, abre-se caminho não apenas para a democratização do acesso a esses compostos, mas também para a criação de novas moléculas com aplicações terapêuticas ainda inexploradas. Apesar de que muitos leitores psiconautas adorariam experimentar este tabaco psicodélico, as pesquisas devem avançar no sentido da extração e isolamento desses compostos para novas pesquisas e usos terapêuticos.



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